O sonho realizado de Carolina Araújo, de ser Maestrina!

Postado em 12:03 por Patricia Rodrigues Witt

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Fiquei surpresa ao receber o e-mail de uma longa e linda história da Carolina Araújo, que foi em busca do seu sonho, de ser Maestrina! Quando desejamos algo com fervor, caminhamos em direção dela com toda a certeza que iremos ultrapassar todas as barreiras! Segue sua história:

Olá me chamo Carolina Araújo sou surda, tenho perda auditiva bilateral neurossensorial, sou bilíngue e adoro falar LIBRAS e também o Português, nasci ouvinte comecei a perder a audição aos nove anos de idade e assim fui perdendo gradativamente. Não se sabe ao certo o motivo da perda da minha audição.

Tive muitas otites quando eu era criança, cheguei a fazer uma cirurgia nos ouvidos quando tinha sete anos, os meus tímpanos estavam perfurados e com secreções, fiquei um tempinho na fila de espera no SUS para fazer a cirurgia, e depois de três anos fui fazer um exame de audiometria, exame de rotina e por fim acusou uma perda leve na orelha esquerda, e no ouvido direito estava entre leve para moderada. A partir dos 15 anos de idade, a minha audição começou a piorar. Fiz então o pedido de AASI no SUS, foi renegado, pois minha perda auditiva era flutuante.

Passei por momentos difíceis na escolha de AASI, por não ter condições financeiras e por vergonha de usá-los. Medo de sofrer rejeição, bulling e apelidos como “olha lá a surdinha e etc…”

Somente com 18 anos de idade, eu comecei a ver a “Surdez” com outros olhos, pois fiz amizade com outros surdos indicados pela minha fono, todos eles usavam AASI, alguns falavam LIBRAS e outros não. Mais tarde, conheci outra surda usuária de AASI no meu novo emprego, que também teve a mesma dificuldade de utilizar os aparelhos, mas superou e passou a aceitar, e eu também!

Comecei a estudar Música no mesmo período que tive o diagnóstico da Perda inicial aos 9 anos e comecei com o Violão depois venho Trompete, Clarinete, Trombone, Guitarra, Flauta Doce e Flauta Transversal. Hoje em dia só estudo Flauta Transversal.

No Ano passado fiz um teste em uma escola de Música em São Caetano do Sul (Fundação das Artes), eu ainda não usava aparelho e estava para colocar, fiz o teste mesmo assim, os dois testes fiz no mesmo dia: o de Flauta e o de Teoria Musical e passei nos testes, mas antes de fazer o teste na Fundação conheci duas Professoras de Música que são duas professoras que cuidam do programa PAPI (Programa de Apoio Pedagógico à Inclusão) da Fundação das Artes.

Na fundação tenho aulas individuais de Flauta e de outras matérias com outros alunos estudo em uma sala de ouvintes tenho uma pessoa que me acompanha nas aulas tenho matéria de Rítmica, Estrutura Musical, Canto e Percepção Musical.

No começo achei que teria dificuldades nas matérias de Canto e Percepção Musical, quando comecei a estudar na Fundação no começo deste ano (2016) eu já estava com o AASI fazia pouco tempo, mas já estava cantando e nunca tinha feito até porque não escutava minha voz, passei a escutar com o AASI e percepção Musical era a matéria que eu achava que não ia conseguir, pois exige muito a trabalhar com os ouvidos, era a matéria que tinha mais medo! Mas dei o meu jeito, colocando as minhas mãos no Piano e fui aprendendo sobre “Percepção Musical”.

Era um bicho de sete cabeças e eu conseguia estudar essa matéria na Fundação das Artes, os Professores são muitos atenciosos comigo, principalmente na aula de Canto e Percepção Musical.

Sinto a Música em meu Corpo, essa trajetória musical me ajudou muito nos dias que eu pensava que era inútil, eu pegava meu violão, minha Flauta e tocava com raiva por não conseguir ouvir o som, principalmente da Flauta, mas conseguia sentir os sons no meu corpo, e cheguei a pensar que estava ficando louca, mas não! Os surdos podem sentir a vibração da música.

No começo do ano passado comecei a estudar Regência com a Orquestra Jovem de Jacareí, desde quando eu era criança já sabia o que queria ter como profissão: Maestrina, meus pais são separados, tinha finais de semana que eu ficava com meu pai e ele colocava desenhos da Disney para todos nós: eu, Camila e meu primo para assistirmos, e teve um desenho que vi uma Orquestra, que havia um homem mexendo com os braços que nem louco, gostei muito do que vi e olhei para meu pai e disse que queria ser aquela pessoa mexendo os braços, meu pai não deu muita bola até porque como disse ele: “Era uma criança que ainda ia ver e viver muita coisa”.

Quando comecei a estudar música, meus pais não levaram muito a sério, mas com o passar do tempo fui mostrando que eu podia estudar música mesmo com a perda auditiva, hoje estou regendo em todos os concertos e fazemos apresentações.

Meu primeiro concerto como Maestrina Regendo foi no meio do ano passado com a Orquestra Jovem de Jacareí, um desafio para os músicos e Musicistas ser regido por uma Surda, mas deu tudo certo, eles foram e são super atenciosos e cuidadosos  comigo.

O Maestro titular também me fez sentir segura com eles, assim como me sinto na Fundação das Artes. Já me isolei muito das pessoas e tinha medo de falar, hoje em dia quando não entendo, pergunto e se eu não entender, pergunto novamente… já ouvi muitos a me dizerem “Nossa como você fala!”.

Também já sofri preconceitos na música por ser surda, hoje não mais, até porque existem vários projetos de inclusão na música. Bom, essa é um pouquinho da minha historia com a surdez. Segue um link de um vídeo onde estou regendo:

 “A Música esta em todo lugar, basta sentir – lá” 

Lindo não é? Te desejo todo o sucesso do mundo para você Carolina!! Que sua música espalhe pelo mundo afora!!! A música é a cura da alma! Parabénsss!

Espetáculo Metamorfose das Borboletas!

Postado em 21:05 por Patricia Rodrigues Witt

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Gente, temos novidade para o dia 26 de Setembro deste ano de 2016, dia dos surdos: um espetáculo de dança chamado “Metamorfose das Borboletas”, que ocorrerá no instituto Caesmi-Apasi de Ibipora, no Cine Teatro Padre José Zanelli, na Av. Dom Pedro II, 368 – Centro,  no estado do Paraná!

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Veja abaixo o depoimento da criadora do projeto Vibração, Cláudia Eccard, dançarina de Ballet, pedagoga e professora de consciência corporal, possui este projeto para alunos com surdez desde 2013:

“A ideia do espetáculo surgiu depois que eu ouvi a música “Borboletas” de Luciana Mello. Quando ela diz na frase: “O que seria delas, se não pudessem voar?”. Então comecei a refletir, que nem todas as borboletas são tão belas, ou voam iguais umas das outras , mas nem por isso elas deixam de serem borboletas.

E que assim também são os seres humanos, nem todos andam, podem ver ou ouvir, e o que seriam deles sem poder fazer o que os outros fazem , nem por isso eles deixam de serem seres humanos. Outra frase que me chamou a atenção:

“Lá fora eu vejo o mundo, e sinto lá no fundo que aqui não é o Meu lugar”.

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E muitos pensam assim, se sentem diferentes e excluídos, e muitos permitem se excluir. E ficam apenas sonhando, não sabem como ser feliz, apenas aceitam o que a sociedade os impõem, sem ao menos tentar voar para bem longe… Cada borboleta é de um jeito, nenhuma é igual à outra. Umas mais coloridas e outras nem tanto. Umas voam mais alto, outras nem ao menos voam, mas continuam sendo borboletas.

Muitas borboletas passam por nós despercebidas, nem notamos sua presença, assim também acontece com nós seres humanos, muitos passam por nós e também não notamos sua presença. Olhar para uma borboleta não é apenas vê-la passar, mas sim notá-la. Olhar para um ser humano não é apenas olhar , mas sim enxergar, sentir, perceber, ver sua beleza independente de qualquer deficiência. Olhar e perceber o que cada um tem de bonito, o que tem de especial. Todos nós somos iguais perante Deus.

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É isso que eu pretendo com o meu espetáculo, e em especial com o meu projeto de dança VibrAcao. “Transformar o sonho em realidade e escuridão em brilho no olhar”. Luciane Mello. O Espetáculo tem como objetivo trabalhar a inclusão unindo surdos, ouvintes, cadeirantes, autista, em uma única apresentação, mostrando que todos são capazes de ousar e acreditar.

Participantes do espetáculo- 104 alunos (as). Entre eles são: 12 surdos profundo 8 moderados 2 cadeirantes 2 Autistas 1Paralisia infantil Ouvintes.

Amor ao próximo. O olhar mesmo sem enxergar. O sentir, mesmo sem ouvir”

Cláudia Eccard Graciano

Metamorfose das Borboletas completo

Lindo não é? Eu me emocionei com este relato de Cláudia, todos nós somos iguais e com o nosso jeito podemos VOAR além do horizonte!

Compartilhe a todos seus amigos, profissionais, educadores e a todos interessados em assistir o espetáculo!! Vai ser maravilhoso!! Um abraço a todos!

LOAS: Você sabe o que é? Venha espiar!

Postado em 15:02 por Patricia Rodrigues Witt

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Quando assumimos plenos cuidados de uma criança ou ter um filho já é uma imensa responsabilidade, o trabalho dos pais ou do responsável passa a ser redobrado com muitas horas por dia em função do pequeno, brincando com ele, dando atenção e carinho e por fim educar,  para ser uma pessoa integra e do bem.  

Ao receber uma criança com deficiência, seja ela qual for, muitas vezes as coisas parecem virar de cabeça para baixo, outras vezes nem tanto, pensando que uma “pequena” deficiência não requer tantos cuidados, mas na realidade o cuidado sempre deve ser redobrado. Muitas mães não conseguem conciliar o trabalho e os cuidados com o filho com deficiência, e quando percebem que o filho precisa muito de sua atenção, desistem do trabalho e voltam para a profissão de ser mãe por “quase” 24 horas… Mas e o dinheiro? E a sobrevivência? Como fica a situação?

 É muito importante para todas as mães, pais e adultos responsáveis pelas crianças com deficiência correr atrás no que tem direito: O LOAS, um benefício do INSS para todas as crianças e com deficiência que necessita de apoio e tempo de atenção dos pais,  foi criada pela constituição de 1988! Interessante não?

Segue o relato da mãe Jocelia, que tem seu filho Bernardo com deficiência auditiva:

“Quando tive que parar de trabalhar, pois não conseguia mais conciliar meu serviço com a atenção que o Bernardo precisava, me vi desesperada…pois a nossa questão financeira ficou muito critica. Mas ter parado de trabalhar e ter conseguido dar mais atenção ao Bernardo me fez ver que realmente ele necessitava muito mais atenção que eu imaginava.

Eu acabava sendo negligente, mas não de propósito, mas por não enxergar que meu filho estava precisando muito mais de mim. Foi então durante as inúmeras consultas no Hospital de Clínicas de Porto Alegre-RS, que comecei a perguntar para as outras mães como faziam para trabalhar e dar atenção aos seus filhos, e as respostas sempre eram as mesmas, elas também não conseguiam conciliar o trabalho…

Mas eu ainda tinha uma duvida como vocês conseguem sobreviver financeiramente, pois eu sentia na pele a falta do trabalho e as consequências financeiras, foi então que a maioria começou a me dizer que recebiam um tal de LOAS… Então fui atrás… Fui ao INSS da minha cidade, que fui informada que existe LOAS: O benefício assistencial da LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social), cujo nome oficial é Benefício de Prestação Continuada, foi criado pela Constituição de 1988.

Então fui indicada a procurar o CRAS – O Centro de Referência de Assistência Social – no meu município. Levei todos documentos meus e do Bernardo (CPF obrigatório ter do Bernardo), RG, Certidão de nascimento) certidões, comprovantes de residência, minha carteira de trabalho que comprova que não estou trabalhando. Laudo médico que informe a deficiência, e tenha especificado o CID. Lá no CRAS foi preenchido pela “assistente social” alguns formulários que são obrigatórios, e agendado no INSS uma data.

1)      A primeira data de ida ao SUS foi para apresentar toda documentação que estava completa.

2)      A segunda data foi uma entrevista com a assistente social, na qual foram feitas diversas perguntas.

3)      E por último, então a perícia com o médico, que fez a avaliação. Em quinze dias enviaram o comunicado.

Uma dica que dou a todos: Durante todo este processo sempre falei a verdade, nunca forcei situações, descrevi nossa realidade e necessidades. Qualquer dúvida me coloco a disposição!”

Este relato da mãe de Bernardo, conseguiu o seu direito para que possa dar continuidade dos cuidados com o seu filho. Se você que é mãe e/ou pai de seu filho que necessita muito de sua atenção e que você NÃO possui condições financeiras, corram para realizar todas documentações para obter este LOAS!

Entre no site do planalto para mais informações sobre a LEI ORGÂNICA DA ASSISTÊNCIA SOCIAL (LOAS):

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8742compilado.htm

Qualquer dúvida entre em contato!

Boa sorte a todos!

ZIP – Um lugar de sonhos para todas as crianças!

Postado em 15:37 por Patricia Rodrigues Witt

 

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Cartão de visita ZIP

Conheci este lindo espaço, destinado às crianças com todos tipos de deficiência, um lugar que foi idealizado pelo Professor Ilan Himelfarb (educador, músico e ilustrador). Um lugar de sonhos, onde os pequenos podem explorar ainda mais a imaginação através de leituras, desenhos, pinturas, músicas, e tudo com acompanhamento do próprio educador para que a criança possa descobrir suas habilidades e o seu próprio “EU”, e a partir daí poderá então a desenvolver suas inter-relações com o mundo afora!

Achei muito interessante que o espaço de música possui bateria para que as crianças possam trabalhar com a motricidade fina, o Ilan me explicou que não se deve tocar a bateria com os punhos firmes, pois o som distorce! Eu não sabia disso…. Ainda tenho muito a descobrir na esfera sonora não é?! Muito interessante!

O mundo de Paty!

O mundo de Paty!

Ele me convidou para conhecer seu espaço, pois tem um imenso interesse em conhecer o mundo do silêncio e aprender LIBRAS para começar a incentivar as crianças surdas em seu espaço! Achei isso maravilhoso, é um espaço único que reúne ali múltiplas possibilidades de estímulos sonoros e visuais para o desenvolvimento da criança. Este atendimento especial educacional convida-os a viajar na imaginação e fazer suas próprias descobertas, habilidades e por fim desabrochar na comunicação com o mundo!

O Ilan é ilustrador e apaixonado por desenhos! Me convidou também a ser o personagem principal na história em quadrinhos, baseada em minha trajetória de vida real, fiquei muito lisonjeada com esse convite! Quando ficar pronto, irei avisá-los por aqui! Fiquem de olho!

Vejam as fotos:

A imaginação é livre!

A imaginação é livre!

 

Vamos bater um papo? fazer suas próprias descobertas!

Vamos bater um papo? fazer suas próprias descobertas!

 

O Pequeno príncipe!

O Pequeno príncipe!

 

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Guloseimas!!

 

 

Pianos!

Pianos, bateria e TV!

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IMG_0363Será maravilhoso conhecer o espaço! ;) ;)

Um abraço a todos meu e do Ilan!

O livro da Patrícia

Postado em 18:43 por Patricia Rodrigues Witt

Gente, temos um novo vídeo (legendado) para vocês, abaixo vocês irão ver as atividades bem parecidas com que eu já vivenciei, graças à minha mãe que sempre esteve ao meu lado, acompanhando cada passo meu, sem ela eu não estaria borboletando por aí e principalmente compartilhando minhas experiências de vida na minha convivência com a surdez desde que nasci. Não fui criada para me ver diferente dos outros, comecei a fazer leitura labial, e ainda achava que todos faziam também, tendo sempre a consciência que teria que articular os lábios para que todos pudessem me entender…rsrs.

Então, com toda naturalidade do mundo fui descobrindo aos poucos que eu não escutava, e minha mãe continuava me incentivando, sem perder nem um minuto, com as atividades como a deste livro fomos criando um diálogo e eu fui aumentando o meu vocabulário, ela tinha a certeza que eu chegaria até aqui. Na ausência da audição é fundamental que estímulo seja visual e intensamente vivenciado, se possível.

Em caso de crianças com Implante Coclear, estes estímulos devem vir acompanhados de sons de forma que possam compreender como o mundo funciona.

O relato deste vídeo foi feito por minha mãe, ela explica cada detalhe deste lindo livro, que pode servir como exemplo e de inspiração para incentivar suas crianças, sejam elas com deficiência auditiva ou não!

Veja aí!

 Aos papais e mamães, inspirem-se nas páginas deste livro acima para auxiliar seu filho a interagir o mundo! Lindo não?

E para quem quiser adquirir este livro, entre em contato pelo e-mail: blog@surdezsilencioemvoodeborboleta.com ou pelo WhatsApp  (51) 9540-1267 – somente por mensagem.

A demanda do profissional Tradutor-Intérprete é emergente!

Postado em 09:31 por Patricia Rodrigues Witt

SERlibras

Vem aí o primeiro evento I SERLibras em 21 e 22/Julho que ocorrerá em Varginha-MG, o seu tema será O Tradutor-Intérprete Educacional: sua Formação e Relevância em Atuação na Educação de Surdos”.

Achei bem interessante compartilhar por aqui, pois eu sendo surda oralizada e fluente na Língua de Sinais, ao adquirir o conhecimento desta 2ª língua (LIBRAS), percebi que pude com mais facilidade participar e ter melhor compreensão em congressos, seminários, e outros grandes eventos que atrapalhariam totalmente a leitura labial. Também solicitei Intérprete de LIBRAS na época da minha faculdade, que foi uma luta para conseguir, pois as pessoas ainda não conheciam a importância da interpretação/tradução e sendo o nosso direito acesso à educação!

Este evento sorteará o meu livro SURDEZ Silêncio em Voo de Borboleta!

Seguem então os detalhes sobre o evento, divulgado pelo Profº Reginaldo Silva, intérprete de LIBRAS e Coordenador/Representante Centrin - Central de Tradução e Interpretação – ES em MG:

“Após longos anos de contato com os profissionais da Comunidade Surda, foi percebido que era de fato de extrema importância encurtar as distâncias do interior do Estado com os demais grandes centros onde eventos que abordam a LIBRAS são realizados todos os anos e praticamente o ano todo. Por não haver interesse por parte das Instituições de Ensino e outros Órgãos Públicos, fez-se necessário à idealização deste para promover um grande encontro, que por sua vez poderá contribuir para a prática dos TILS. A realização pioneira deste evento na cidade de Varginha-MG abre campo e possibilidades de discussões relevantes entre municípios vizinhos bem como dos profissionais que atuam na Rede Pública de Ensino.

Assim, o I SERLibras tratará de temas de âmbito regional se apresentando como uma oportunidade para a reflexão acerca de um conjunto de temas que inquietam toda a sociedade em seus mais diversos segmentos. Nele buscaremos a discussão e a articulação com as diversas áreas do saber que circundam nosso campo de atuação.

A Comissão Organizadora do SERLibras é integrada por Tradutores-Intérpretes, Surdos e outros parceiros como: alunos de diversos Cursos de Libras do interior bem como de outros Estados.

O tema do evento: Para a primeira edição deste evento o tema escolhido foi “O Tradutor-Intérprete Educacional: sua Formação e Relevância em Atuação na Educação de Surdos”. Visto que a demanda do profissional Tradutor-Intérprete é emergente, faz-se necessário levar ao público informações relevantes sobre este profissional e suas atribuições éticas e responsáveis no ambiente educacional.”

Veja a programação do evento:

SERlibras PROGRAMAÇÃOAproveitam e corram para participar neste evento! Compartilhem o máximo número de pessoas possíveis!

Contato:

Malala, hoje usuária de Implante Coclear!

Postado em 22:32 por Patricia Rodrigues Witt

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Para quem ainda não sabe, ela usa Implante Coclear sim! Uma menina guerreira, forte e luta pela educação das meninas. Ela escreveu o livro contando a sua história sobre sua luta no Paquistão, por lá as meninas eram proibidas de estudar e muito menos ir à escola.

Sendo também obrigadas a usar a burca, trabalhar em casa, cuidar da casa e da família. E se não obedecessem às regras dos Talibãs, elas eram ridicularizadas, queimavam seus rostos, para envergonhá-las de suas ações. Malala achava isso um absurdo, juntamente com o apoio de seu pai na política da educação (que criou a escola que unisse meninos e meninas, lutava também pela educação das meninas). Malala mostrou então sua personalidade forte ao mundo e ganhou o prêmio Nobel da PAZ! E hoje, graças à ela, as coisas por lá melhoraram!

Mergulhando em sua história de bravura, vivia-se 24 horas por dia com medo de bombardeios espalhados em sua cidade chamada Vale do Swat. Malala foi perseguida pela sua luta, um dia, um dos talibãs que estava armado descobriu seu caminho à escola e parou o seu ônibus e perguntou “Quem é Malala?”, a menina mal olhou e foi atingida na cabeça.

Foi imediatamente socorrida, ficou muito tempo hospitalizada e como uma das sequelas, teve perda auditiva total em um dos ouvidos, e além disso, também foi atingida em seus nervos faciais (de um lado), em consequência dificultou o seu sorriso (mais tarde recuperou em torno 80% dos movimentos faciais). E aquele ouvido atingido foi inserido o Implante Coclear, recuperando sua audição!

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Foto da página do livro de Malala, onde fala sobre o Implante Coclear.

Falam em problemas assustadores que podem acontecer com a cirurgia de Implante Coclear e o uso deles. Tudo é mito!! Não acreditem em nada destas loucuras antes de se informarem com profissionais especialistas na área e buscarem informações em bibliografias competentes. Eu tenho buscado estas informações ao longo de 4 anos. Participo de encontros de implantados e posso dizer que cada vez mais fico encantada com os resultados! É surpreendente ver as declarações emocionadas daqueles que já utilizam!

Pensando nisso, há pessoas com perda auditiva profunda a ponto de atrapalhar bastante a sua comunicação com o mundo, principalmente a quem já escutou alguma vez na vida, já tem a memória auditiva, tem receio da cirurgia do Implante Coclear, por variados motivos: Pode ter falhas, é irreversível, pode ter tonturas, ânsia de vômitos e etc…E por fim, desistem…

Enquanto vem o medo da cirurgia, vamos nos inspirar na história de Malala com bombardeios em volta de sua casa e ter certeza que vai morrer a qualquer momento, o medo é constante e apavorante, realmente é estar dentro de um filme de terror. Então, o implante coclear foi o de menos, um pequeno detalhe que a fez ouvir o mundo novamente! <3 <3

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Vale a pena ler este livro, é lindo!! Beijinhos a todos!

Novo canal You Tube de Patrícia Witt!

Postado em 16:50 por Patricia Rodrigues Witt

Pessoal!! Esta é a maior surpresa desde quando comecei com o livro e o blog! Com toda a alegria fiz o primeiro vídeo de 2016, para falar sobre a minha obra SURDEZ Silêncio em Voo de Borboleta e também tem mais uma surpresa para todas as princesas e heróis que desfrutam os sons maravilhosos através de Aparelhos Auditivos e Implante Coclear! Vejam o vídeo, curtem, inscrevam-se, sigam o canal e compartilhem!

Para quem não escuta, ativem a legenda que fiz com carinho para vocês acompanharem tudinho o que estou falando! ;)

Espero que gostem!

Beijinhos para todo mundo e Feliz 2016!!!!!!!!!!

 

 

Switched at Birth no NETFLIX: Marlee Matlin, atriz surda, ganhadora do Oscar “ O Filho do Silêncio” atua neste seriado! Imperdível!

Postado em 19:46 por Patricia Rodrigues Witt

LUCAS GRAVEEL, VANESSA MARANO, CONSTANCE MARIE, KATIE LECLERC, LEA THOMPSON, D.W. MOFFETT

Em uma noite fui a um encontro de família, lá também havia pessoas que eu não conhecia. Mas, comecei a conversar com uma “parente” da minha parente, conversa vai e vem…E TCHARAM, descobrimos que fazíamos leitura labial uma na outra, éramos duas deficientes auditivas naquele salão…Que coincidência!! Então, cada vez mais aprofundamos a conversa, e ela me perguntou se eu havia visto o seriado “Switched at Birth” no NETFLIX, eu disse que não… Ela me disse que eu não deveria perder, pois era maravilhooosoo!! Já fiquei curiosa começando pelo nome, que a tradução seria: Trocadas pelo nascimento.

Bom, na mesma semana comecei a “fuçar” este seriado no NETFLIX (pois não sou muito de seriados americanos, nenhum me interessava…). Nossa, lendo a sinopse e pela primeira vez fiquei tão empolgada em assistir, sem parar mesmo!! Este seriado tem 3 temporadas, com vários episódios! O seriado é realmente fantástico e vocês deveriam assistir!

Vou deixar no AR para que vocês fiquem com uma vontade tremenda de ver este seriado!! Uma história sobre dois meninas que foram trocadas no nascimento, uma ficou surda por conta da meningite, era ruiva e de olhos verdes, criada pela mãe Porto-Riquenha e seu pai que era mexicano que abandonou quando soube a sua surdez, como os pais não sabiam que ela tinha sido trocada, e isto trouxe muitas desconfianças pelo lado do pai e gerou muitas brigas para o casal…E no outro lado, a filha biológica desse casal foi criada pelos pais que tinham cabelos claros. Quando ela chegou a fase de sua adolescência começou a ter sérios questionamentos em relação as suas características físicas diferentes de sua família.

O resto você deve imaginar, não posso contar toda a história…Risos. Mas ao assistir o filme faz nos pensar ou reviver sobre os obstáculos, preconceitos, lutas e vitórias em que vivenciamos.

Comigo, senti como se eu tivesse levada ao túnel do tempo, na época da minha adolescência, quando descobri a LIBRAS, que é um mundo maravilhoso e que você passa entender a comunicação tão somente através dos olhos, e compreende todos em sua volta, como nunca aconteceu em sua vida, isso me fez aflorar quem eu sou, me sentia capaz de participar o que todos falavam e poder dizer minhas opiniões, ideias, me sentir então “alguém” nesse meio dessas pessoas!! Isto também aconteceu com os usuários de Implante Coclear, pois todos eles têm a mesma história, todos sabem que “todos” fazem leitura labial, e alguns se comunicam por LIBRAS também, sem nenhum preconceito! É maravilhoso estar com pessoas que realmente te entendem!!

Mas voltando ao filme, vou lhes apresentar os personagens principais que fizeram a história ainda mais especial:

Daphne

Daphne: Surda, contraiu meningite quando pequena, é oralizada, utiliza aparelhos auditivos e fala através da ASL (American Sign Languages). Personalidade forte, gosta de tomar decisões próprias, jogadora de basquete e defende a escola de surdos.

 

Bay

Bay: Ouvinte, artista, tem muitas dúvidas e insegurança no início devido a troca. Se apaixona pelo surdo Emmett (melhor amigo de Dehpne), aprende a língua de sinais e se torne estudante na escola de surdos, onde Daphne estuda.

Kathryn e John

Kathryn e John: Pais biológicos de Daphne, mas criaram Bay, achando que era deles, até então Bay começou a desconfiar devido as suas características físicas diferentes de sua família. Mais tarde ela se conforma e quer o bem estar de todos.

Regina e Angelo

Regina e Angelo: Pais biológicos de Bay, se separam quando Daphne era bebê. Regina então criou sua filha, educando-a através da ASL, mas também tem um passado tenebroso que a obrigou a tomar decisões bem difíceis.

Emmett

Emmett: Surdo, se comunica somente através da ASL, se apaixona por Bay. É observador, amador de motos e conselheiro para todas as horas! Pai de Emmett também surdo que decide colocar Implante Coclear mais tarde.

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Melody (Marlee Matlin): Mãe de Emmett, também surda, tem atitude exemplar na educação com seu filho emmett, mulher com personalidade forte, decidida e defensora da Língua de Sinais. Ela é uma atriz surda que fez também outros filmes e seriados como “O filho do Silêncio” (ganhou o Oscar como melhor atriz) e “Law & Order”.

Então, este foi o primeiro seriado americano que assisti, e realmente vale a pena! Pega a sua pipoca nesta noite de sábado e deite no sofá e assista!! É maravilhooooosooo!! Apreciem cada história que eles têm para mostrar para vocês! Bom filme!!

Um abraço a todos!

 

Tal mãe, tal filha, dividem o mesmo mundo com perdas auditivas diferentes!

Postado em 20:50 por Patricia Rodrigues Witt

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As histórias não param por aqui!! E esta é a primeira com uma mãe e filha com deficiência auditiva, as duas vivenciam no mesmo mundo. Clarice estimula Helena constantemente em todas as formas por ter a deficiência mais profunda que a mãe, e a mais interessante é que Helena é estimulada por músicas e luzes…. Faz tratamento com musicoterapia! É isso mesmo, veja na íntegra abaixo ;)

Foi o dia que minha Helena chegou ao mundo. Como estava perdendo líquido amniótico aos poucos, induziram o parto. Depois de 7 horas de trabalho de parto, estouraram a bolsa e tinha mais mecônio que líquido. Então a cesárea foi indicada. Helena chegou às 3 horas da manhã, apgares, 8 e 9.

No segundo dia foi realizado o teste da orelhinha. O resultado foi ausência de respostas. Um mês depois repetimos o exame e o mesmo resultado. Então iniciamos o BERA mas não conseguimos concluir porque a Helena não dormia. Aí resolvi procurar um Otorrino que nos indicou outro lugar. Dessa vez conseguimos. Helena dormiu e então veio o diagnóstico. ” A Helena escuta diferente de você. Escuta bem menos.”

É porque eu também tenho deficiência auditiva. Minha áudio é em rampa. Leve nos graves e vai caindo conforme vai ficando agudo o som. Eu escuto mas não entendo. É um tipo de perda rara, presentes em diferentes graus em algumas pessoas da família da minha mãe. Como a leitura labial e ouvir algum som são simultâneos, tenho a ilusão de que escuto. Mas se perco a pista visual logo me dou conta que não consigo discriminar as palavras. O aparelho me libera da leitura apenas se não tiver ruído e se estiverem falando de perto.

Voltando a perda da Helena volta e meia me pergunto: não é possível Helena é minha filha, logo deveria escutar como eu. A gente sempre espera que os filhos sejam iguais a nós. Apesar de ter feito testes genéticos que deram negativos, ele não eram conclusivos.

Desde então começou uma série de providências para lidar com a audição da Helena que hoje é severa-profunda.

Colocamos os aparelhos e estamos fazendo estimulação com fono e brincadeiras sonoras em casa. O pai, formado em musicoterapia, estimula a audição da Helena tocando músicas que gosta no violão. No quarto dela, montei uma discoteca com luz colorida que gira e um teclado que toca músicas. Toda vez ela balança a mãozinha e chacoalha o corpo como se tivesse dançando quando eu ligo o som e a luz.

Nós não sabemos se sua audição vai ficar igual a minha. Meus pais, ouvintes por exemplo, só descobriram a minha perda auditiva com 5 anos. Foi preciso eu começar a falar para que percebessem alguma diferença. Então a filosofia do momento é “devagar e sempre. ” Como descobrimos a perda da Helena muito cedo, com 3 meses, tenho uma certa esperança que algo mude. Fazemos tudo de forma tranquila como se fosse uma brincadeira e para que fique leve inclusive para Helena. Também tenho conhecido muita gente pelas redes sociais. Tem sido minha salvação, pois tenho conversado com quem já passou por isso, mães, filhos, amigos. Não há nada mais confortante em conversar com quem passa pelas mesmas dificuldades e pelas mesmas vitórias não é? Os livros de quem já registrou sua trajetória no mundo do silêncio e do som são incríveis. Cada conversa, cada história, fica uma mensagem que está norteando o caminho que devo trilhar com a Helena. As vezes bate uma dúvida, releio as mensagens e sigo firme em frente. Ao mesmo tempo que e uma situação nova é também a maior batalha a ser superada na minha luta diária com a audição. Poderia ser mais fácil? Poderia. Mas poderia ser mais difícil também.

E tenho ficado surpresa que seja qual for o grau do déficit, leve, moderado, severo ou profundo as dificuldades são muito parecidas.E as conquistas também. Assim poderei orientar melhor minha filha para que sua vida seja o mais doce possível. Helena,hoje aos 9 meses, mostra sua percepção do som com os aparelhos. Uma pequena vitória de muitas que estão por vir. E quanto mais suadas as vitórias que alcançamos muito mais doce o sabor do triunfo. Palavras de uma amiga.

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Parabéns Clarice, tu e Helena são vencedoras, sua filha vai ainda mais longe com seus belos voos, continue assim!! Todos nós estamos na sua torcida!!

Um beijo dos leitores daqui!! ;)