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Gente! Temos mais uma história para contar, desta vez é a Ana Raquel Périco Mangili, formada em Jornalismo, e agora é uma convidada especial para ser colunista do meu blog, então ela fará parte deste espaço para fazer relatos sobre suas experiências acerca da surdez e uso dos aparelhos auditivos!  Ela é uma linda menina guerreira, lutadora e nunca desiste de nada, com múltiplas deficiências (além da auditiva) ela conta neste POST de como superou tudo, que todas nós podemos superar barreiras! Lá vai o depoimento de Raquel:

Olá a todos! Meu nome é Ana Raquel Périco Mangili, tenho 22 anos e resido em Barra Bonita/SP. Atualmente, estou terminando a graduação em Comunicação Social – Jornalismo na UNESP de Bauru/SP. Também sou estagiária em assessoria de imprensa desde março de 2014 na Associação dos Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear – ADAP.

Vou contar aqui um pouco da minha história de vida. Nasci prematuramente em outubro de 1994, após sete meses de gestação. Médicos afirmam que, provavelmente, me faltou oxigênio nos momentos seguintes ao parto, o que me causou três sequelas: Distonia generalizada, Disfonia e Deficiência Auditiva bilateral moderada. A Distonia é um distúrbio de movimento causado por contrações e incoordenações musculares. No meu caso, ela é generalizada, pois está presente em todos os músculos do meu corpo.

A Disfonia é uma consequência direta da Distonia, isto é, são alterações na voz devido às contrações dos músculos do pescoço. Já a Deficiência Auditiva foi causada por lesão de algumas células ciliadas das cócleas, mas também é um pouco agravada pela Distonia, devido às contrações musculares da cabeça e pescoço. Por causa da surdez parcial, utilizo Aparelhos de Amplificação Sonora Individual (AASI) e o Sistema FM, que me ajudam a ouvir melhor.

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Meus pais descobriram essas sequelas do pós-parto quando eu tinha seis meses de idade. A partir de então, eles foram atrás de todo tipo de tratamento existente, com o objetivo de me dar a maior qualidade de vida possível e a igualdade de oportunidades em relação às outras crianças. Pode-se dizer que estive em contato com a acessibilidade desde muito cedo em minha vida: enquanto eu não andava sozinha, minha mãe me segurava. Por ter dificuldades para escrever à mão durante as aulas e realizar outras atividades com os braços, eu comecei a ter o acompanhamento de uma monitora, e posteriormente ganhei também um notebook para escrever. Quando minha audição não me possibilitou mais acompanhar as conversas e outras atividades sonoras, eu recebi, aos nove anos de idade, meus primeiros aparelhos auditivos.

O curioso é que, apesar de eu ter nascido com todas essas deficiências, levei algum tempo para tomar consciência delas. A criança que já nasce com alguma deficiência só percebe a sua diferença no contato e na comparação com os demais. Até antes de entrar na escolinha, com cinco anos, eu não tinha essa concepção de que eu tinha algumas particularidades. Para mim, era normal sentir dores nos músculos, ter sessões diárias de fisioterapia e possuir dificuldade com algumas tarefas motoras.