Carla BuenoOlá!! Hoje temos mais uma nova história para contar por aqui! A Carla Bueno é uma pessoa batalhadora, venceu todos os obstáculos, formada em Tecnologia em Alimentos, e hoje se prepara para o caminho do Implante Coclear!! O que mais me chamou a atenção sobre a sua surdez, foi saber que a sequela da icterícia em excesso lhe causou a perda de audição. A surdez pode ser causada por diversas situações: doenças na gravidez, em recém nascidos, bebês e até mesmo em crianças, ou administração de fortes medicações, doenças súbitas durante a fase adulta, outros casos podem ser genéticos, assim como de Mariana que foi postado por aqui há um ano: http://surdezsilencioemvoodeborboleta.com//2014/08/18/mariana-foi-atras-e-descobriu-o-tipo-genetico-da-sua-surdez/ , e muitos outros casos continuam como uma incógnita em suas vidas. Muitas pessoas por aí ensurdecem sem saber a causa da surdez, sendo difícil até mesmo para os médicos identificarem, causando então uma dúvida eterna dentro de si mesmo. Para quem não sabe ou conhece alguém que ainda não descobriu a causa da surdez e sofre por causa disso, acrescente de coração ao seu conhecimento e compartilhe esta postagem, espero que isso possa incentivá-los a não desistir em buscar o diagnóstico!

Segue, então a história linda da Carla Bueno!!

Minha trajetória de vida! Uma vida que não pára!

Olá! Me chamo Carla, tenho 31 anos, moro em Toledo-PR. Em meados dos meus 18 meses de vida, meus pais desconfiaram quando me aproximavam de outra criança e eu permanecia muito quieta. Eles faziam barulhos, mas eu não olhava. Aí que perceberam que eu não escutava! Os meus pais decidiram buscar novos recursos que em Toledo não possuía. Surgiu a oportunidade de ir à Londrina-PR para a realização de diversos exames em uma clínica especializada para diagnosticar o estado de minha audição, que foi identificada como perda auditiva bilateral profunda neurossensorial, em que a possível causa seria a sequela de uma icterícia altíssima em conjunto a uma falha médica. Nesta fase, coloquei um aparelho de caixinha com fio duplos de moldes para utilizar nos dois ouvidos.

Ao frequentar a escola em 1987, estava para completar os meus 3 anos, meus pais me colocaram em uma escola especial para surdos. Porém, lá fiquei apenas 3 dias porque eles mesmos não aceitaram a metodologia da instituição. Então iniciaram a busca em outras escolas – não foi nada fácil porque nenhuma das escolas visitadas aceitou me receber. Mas minha mãe estava longe de desistir em me incluir em uma escola ‘normal’. Por isso ao retornar para Londrina, ela solicitou uma carta ao profissional da clínica. Com o documento em mãos, ela foi a última escola que faltava ir, apresentou a carta e a instituição me aceitou. Tive um bom relacionamento, recebi atenção por parte dos professores, com o apoio de meus pais me desenvolvi rapidamente até que comecei falar com 3 anos, mas claro que neste período, estava fazendo acompanhamento fonoaudiológico, em que íamos três vezes por semana para Cascavel-PR – na época, cerca de 1 hora de Toledo – para frequentar as sessões de fonoaudiologia e também trazia exercícios para praticar em casa. Meus pais me treinavam todos os dias, ficavam horas comigo!

Com o passar dos anos, vivia em função da escola, acompanhamentos com otorrino e fonoaudiologia até que aos 9 anos quando fui para a 4º série, troquei o aparelho de caixinha e passei a usar AASI somente no ouvido esquerdo. Adaptei-me com o aparelho novo e comecei a perceber uma boa discriminação de fala, sem exigir muito da leitura labial. Neste período da adolescência, comecei a esconder o aparelho, ficando com vergonha. Aliás, já ouvi muitas coisas de outras crianças e adultos, fazendo-me sentir inferior desde criança. Mas graças aos meus pais, eles me ensinaram a me proteger e encarar que isso é apenas uma deficiência!

Em 1996, quando entrei na 7º série, resolvemos mudar de colégio, devido às condições financeiras de meus pais. Saí da escola que estudei desde os 3 anos para uma pública. Lá minha adaptação foi melhor do que eu esperava, pois me enturmei rapidamente, permanecendo nesta escola até a 8º série!

Em 1998, mudei novamente, indo para outro colégio com um número muito maior de alunos. Esta fase foi difícil para mim, porque na flor da adolescência, não me sentia bem com o aparelho auditivo, me sentia mais vergonhosa. Não dizia que era deficiente auditiva, mesmo assim, muita gente sabia! E não deixei de estudar, sempre com notas acima da média e nunca fui reprovada de ano, concluindo o ensino médio em 2000.

No início do outro ano (2001), fiz o vestibular para Tecnologia em Alimentos no CEFET-PR, na qual fui aprovada e encarei esta faculdade. Conclui a faculdade no final de 2004, e neste mesmo ano já fui contratada por uma empresa no estado do Mato Grosso, permanecendo por lá durante dois anos e meio. Retornei ao Paraná, onde tive novas oportunidades de trabalho, totalizando em torno de 10 anos de formação e sempre trabalhando em empresas privadas de pequeno à grande porte. Fiz duas especializações na área.

Posso dizer que consegui me virar muito bem em relação a minha deficiência depois de adulta. Conheci novos amigos, novos lugares e inclusive até namorei neste período! Me senti mais madura, bem como as pessoas hoje tem uma melhor aceitabilidade e entrosamento comigo. No ano de 2013, fiz novas amizades com pessoas portadoras de deficiência auditiva pelo facebook e assim conheci blogues sobre o assunto.

Até que uma manhã de sábado, dia 18 de outubro de 2014, para quem tinha um residual auditivo mesmo com o uso do aparelho auditivo, que possuía uma discriminação de fala e acostumada com sons, veio um zumbido muito forte, que fiquei completamente surda por 4 dias, fui no otorrino já no 1º dia útil da semana seguinte e foi diagnosticado como surdez súbita sem causa definida, sendo possível voltar a audição que eu tinha. Saí do consultório chorando, comecei a ler uma série de coisas na internet tentando achar uma solução para retornar o meu residual auditivo eu que tinha, porém ficava mais desesperada. Dois dias depois, assisti uma reportagem sobre o implante coclear e neste mesmo dia à tarde fui para a fonoaudióloga fazer uma nova áudio. Com o zumbido não ouvia nada, a fono pediu para eu ter muita calma e citou sobre o Implante Coclear. Saí mais nervosa, porque eu queria mesmo que voltasse a audição no ouvido esquerdo e fazer as minhas atividades de rotina.

Destes dias até hoje, tenho zumbidos diariamente, uso o aparelho ainda para auxiliar em sons mais fortes, porém não tenho mais reconhecimento de palavras, não tenho mais diferenciação dos meios de locomoção, nem de vozes das pessoas novas que conheci, etc. Testei uma marca de aparelho auditivo, senti que mesmo aumentando ou diminuindo de volume, não faz diferença no ouvido esquerdo. A fono que estava avaliando me disse que seria importante procurar outro otorrino e buscar investigar a causa que poderia ser algo além da cóclea. Até que me consultei com um outro otorrinolaringologista, que me pediu uma bateria de exames e diagnosticou que poderia ter lesão nas células ciliadas no interior da cóclea. Fez o encaminhamento para a realização do implante coclear. Entrei na fila para o implante no dia 22 de dezembro de 2014. Desde janeiro de 2015, estou em processo de consultas para a cirurgia do implante coclear em Curitiba-PR, em que estava indo pelo menos 1vez ao mês.

Agora, estou aguardando uma nova ida ao hospital em que sempre vou, o parecer final de qual ouvido que irei operar. Pelo quadro atual, é possível que seja operado no ouvido esquerdo, por ser hoje o pior ouvido. Enquanto a cirurgia não sai, eu uso 100% de leitura labial, as pessoas me chamam me tocando e ficam sempre de frente para mim. Passei também a usar aparelho auditivo no ouvido direito para estimular o mesmo, ou seja, estou usando aparelhos nos dois ouvidos. Entrego a confiança nas mãos da equipe para que tenham a melhor decisão! O importante melhorar a qualidade de vida, melhorando a audição!

Carla Bueno

Parabéns Carla, sua história é muito especial, você lutou em todos os sentidos e muitos se enxergam em você!! Tenha certeza de que todos nós estaremos torcendo por você, te desejamos uma nova trilha e voe ainda mais alto com novos sons com Implante Coclear!! Boa sorte menina guerreira!!