Maria Elza

Faz quase 6 meses que estou de Implante Coclear, a minha evolução com ele tem sido lenta (isso é normal para quem já nasceu com surdez bilateral e profunda), mas tenho percebido sons que nunca havia escutado antes, tais como: ponteiros do relógio, miado dos meus gatos, ao passar a mão na pele, nos cabelos, em tecidos de diferentes texturas, ao colocar os cabides na arara, passos, pisca-pisca do carro, batidas de talheres e pratos, sacolas de plástico, teclado do meu notebook, os sons “fricativos” da fala – S, CH, F, V, T, D e etc…

Por incrível que pareça o AASI esquerdo está sendo a minha querida “bengala”, e juntamente com IC passei a entender bem melhor as falas de outras pessoas (ainda com suporte da leitura labial, é claro). Assisti uma palestra e também participei num grupo de estudos de livros, e eu estava em uma certa distância do coordenador do grupo, que antes entendia muito pouco com os AASI’s, e agora com IC não foi preciso forçar “tanto” na leitura labial, e consegui compreender tudo, fiquei muito comovida com isso!

Então, descrevendo sobre estas maravilhosas conquistas, tenho sempre que evidenciar meus bastidores: a incrível capacidade e a arte do meu cirurgião otorrino Dr. Maurício Miura, da Fga. Stefanie Kuhn que ativou o IC. Agora falo de um trabalho que requer muita perspicácia, dedicação e talento da Fga. Maria Elza, profissional incansável que se habilita a fazer todo e qualquer tipo de curso na busca de estar presente e se sentindo o próprio paciente para que então possa estender seu imenso conhecimento, trazendo aconchego e bem-estar em relação ao mundo do som em cada atendimento!

Nesta nova etapa, tenho um longo caminho a percorrer: os treinamentos auditivos, melhorar a minha dicção e todo o meu universo sonoro, estou sentindo como se minha bolha invisível começasse a rachar aos pouquinhos e ver o mundo lá fora, mas agora com um outro prisma! Que venham mais surpresas sonoras!!